Apresentação

Quinta Do Rio Távora

Em 1982 a Quinta do Rio Távora é adquirida por dois irmãos, Nelso e Adriano Andrade Ferreira, ambos naturais de Paradela, Concelho de Tabuaço.

Depois de muitos anos em Angola, sempre ligados à produção e comercialização de café, conseguiram criar uma empresa sólida e rentável, a Cafés Angoma, SARL. Em 1975, com o aumento da violência na antiga Colónia Portuguesa, tiveram de regressar a Portugal e logo começaram a pensar investir as suas poupanças em propriedades agrícolas.

No entanto primeiro adquiriram uma casa, na Avenida da Boavista – Porto, para habitação própria. Em 1980 compram um terreno em Picoutos, Concelho de Matosinhos, com 8 ha, onde se dedicaram à kiwicultura. No ano de 1982, com a aquisição da Quinta do Rio Távora, começam a reestruturar esta propriedade, quer reconvertendo parte da vinha velha, quer plantando cerca de 6 ha de pessegueiros e macieiras.

As uvas com direito a benefício, cerca de 30.000 Kg, eram vendidas normalmente à Firma Sandeman & Ca, SA. O resto da produção, sobretudo as uvas brancas, tinham como destino as Caves da Raposeira, para a elaboração de Vinho Espumante.

A comercialização da fruta era feita no Mercado Abastecedor do Porto, onde tinham um lugar para o efeito. A entrada de Portugal para a CEE, que resultou num abaixamento dos preços dos produtos agrícolas, e a dificuldade do transporte da fruta para o Porto, levou a que desistissem da produção e comercialização dos pêssegos e maçãs. Os 6 ha de pomar foram, nessa altura, reconvertidos, ficando a Quinta com 33 ha de vinha, área que se mantém até aos dias de hoje.

Atendendo a tal potencial vitícola, consideraram ser viável a construção de uma adega com capacidade para vinificar e engarrafar a produção própria ou seja, cerca de 225.000 Kg de uvas. No entanto, apercebendo-se da existência de ajudas comunitárias e nacionais, elaboram um projecto para a edificação de uma adega apetrechada para poder receber e transformar 2.250.000 Kg de uvas.

Logo que começam a construir a adega, em 1991, surgem as primeiras divergências quanto à grandeza do projecto e à propriedade dos bens adquiridos. Como na altura da compra, tanto na Conservatória do Registo Predial como na Repartição de Finanças, todos os prédios foram registados em nome de Adriano Andrade Ferreira, este considera-se como seu único proprietário. Revoltado com tal injustiça, o irmão Nelso vê-se forçado, em 1993, a colocar uma acção em Tribunal, onde reclama a propriedade de metade dos bens. Esta questão decorre, com diversos sobressaltos, desde essa altura até Janeiro de 2003, quando Adriano Andrade Ferreira falece repentinamente.

Na vindima de 1991, com os dois irmãos ainda a trabalharem em conjunto, além de vinificarem a produção da Quinta, também compraram uvas a viticultores da Região. Produziram, nessa colheita, cerca de 125.000 litros de DOC Douro tinto, branco e rosé, sendo as uvas com direito a benefício vendidas à Quinta das Carvalhas, propriedade da Real Companhia Velha.

De 1992 a 2003, Adriano Andrade Ferreira, impedido pelo Tribunal de vender qualquer imóvel e com graves carências financeiras, tem dificuldade na gestão das Quintas, apenas garantindo o pagamento de salários aos trabalhadores e realizando poucas benfeitorias. Ainda assim consegue acabar o projecto de construção da adega, adquirindo todo o material necessário para a elaboração de vinhos de qualidade. Para tal teve de constituir um empréstimo à Banca e, na altura do seu falecimento, as dívidas acumuladas cifravam-se em cerca de 500.000,00 Euros.

Durante estes anos, apenas são vinificadas na adega as uvas produzidas na própria Quinta. Os vinhos obtidos, DOC Douro e Generoso Porto, vão sendo vendidos a granel a Firmas como a Croft e as Caves Primavera, e à Casa do Douro. Nas colheitas de 2001 e 2002, em consequência dos elevados custos de colocar a adega a funcionar, para vinificar apenas a produção da Quinta, Adriano Andrade Ferreira decide vender as uvas à Firma Castelinho Vinhos, SA.

No ano de 2003,  com o falecimento do irmão, Nelso Andrade Ferreira torna-se o único proprietário de todos os bens adquiridos. Não só por ter ganho a acção em Tribunal, mas também por o irmão Adriano o ter constituído seu herdeiro, através de testamento lavrado no Uige, Província de Angola, em 1973.

Nelso Andrade Ferreira começa, desde logo, por reconverter 8,4 ha de vinha velha. A nova plantação é realizada com o recurso a enxertos prontos, sendo a casta mais utilizada a Touriga Nacional que, embora de fraca produção, dá origem a vinhos de alta qualidade.

Mas também a adega sofre grandes remodelações. Além de pôr a funcionar :

- a balança, para a pesagem das uvas,

- o refractómetro, para determinação do grau provável,

- os grupos de frio, para o controlo da temperatura de fermentação e estabilização dos vinhos antes do engarrafamento,

- o laboratório, para as imprescindíveis análises aos mostos e vinhos,

- o compressor, para abastecer de ar comprimido as máquinas da linha de enchimento,

- a linha de enchimento, que foi alvo de uma inspecção e reparação rigorosa e para a qual foi necessário seleccionar as garrafas, as rolhas, as cápsulas, os rótulos e as caixas que se irão utilizar,

- e diverso outro equipamento,

avança com o pedido de licenciamento industrial.

Para o efeito teve de adaptar o antigo projecto às novas exigências, sobretudo no que diz respeito a :

- reformular a instalação eléctrica, com substituição de todos os quadros eléctricos existentes,

- colocar detectores de incêndio e extintores em locais pré defenidos,

- sinalizar as saídas de emergência com lâmpadas próprias para o efeito,

- acabar a construção do pavilhão para estágio e armazenamento dos vinhos engarrafados,

- construir casas de banho e vestuários para os funcionários,

- pôr a estação de tratamento de águas residuais em funcionamento,

- abastecer de água de qualidade a adega, através da realização de um furo artesiano,

- pavimentar a estrada de acesso à adega com “tout venant”,

- construir valetas e colocar caleiras, para o escoamento das águas pluviais,

- e outras pequenas obras de construção civil, tais como a pintura de diversas paredes, pilares e equipamento em material ferroso, a colocação de azulejos, etc.

Trata, também, de se inscrever nos diferentes organismos que regulam o sector :

- na Casa do Douro, como Viticultor, para poder ser produtor de uvas na Região Demarcada do Douro,

- no Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (I.V.D.P), como Agente-económico do Douro, com o estatuto de Produtor e Engarrafador, autorizado a comercializar vinhos com Denominação de Origem Douro e Regional Terras Durienses,

- no Instituto da Vinha e do Vinho (I.V.V.), como Viticultor, Produtor, Engarrafador, Armazenista, Exportador e Importador, autorizado a comercializar Vinho de Mesa,

- na Delegação Aduaneira do Peso da Régua, para a obtenção do nº de Entreposto Fiscal, exigido por lei para poder negociar os vinhos por si produzidos ou comprados,

- no Instituto Nacional de Intervenção e Garantia Agrícola (I.N.G.A), para ter acesso a subsídios como por exemplo as ajudas a quem pratique a Protecção ou Produção Integrada nas culturas,

- E no Instituto de Financiamento e Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura e Pescas (I.F.A.D.A.P.), para, através da apresentação de projectos específicos, se poder candidatar aos fundos comunitários disponíveis para a reconversão de vinhas velhas, para a aquisição de máquinas agrícolas, etc.

Para o engarrafamento dos vinhos produzidos na Quinta do Rio Távora, regista quatro marcas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (I.N.P.I.) :

- Sandini, para o Vinho de Mesa,

- Ponte Vedra, para o Regional Terras Durienses,

- Quinta do Rio Távora, para o DOC Douro,

- Andrade Ferreira, para o DOC Douro de qualidade superior.

- Gato Pardo, para o DOC Douro

Além disso inscreve-se na Sociedade Ponto Verde, para pagamento de taxas referentes à reciclagem das garrafas, rolhas, cápsulas, rótulos e caixas utilizadas/os e na Associação Portuguesa de Identificação e Codificação de Produtos (CODIPOR), para utilização do código de barras, indispensável na comercialização dos vinhos nos supermercados.